Olá,
tudo bem? Continuando a postagens sobre animes, hoje eu quero falar sobre o “BTOOOM!”,
que é um anime feito pela Madhouse, a mesma que animou Death Note, Kaiji,
Hunter x Hunter (2011), Claymore, Monster, High School of the Dead, entre
outros animes que são considerados por muitos como aqueles acima da média,
especiais. Talvez seja esse fator o principal para a emoção, o drama e a
pressão psicológica que o anime apresenta.
Eu pude
perceber em vários episódios alguns elementos que lembram, muito, o Kaiji e o
Death Note. Sinceramente, Mushishi e “BTOOOM!” são os dois melhores animes que
eu pude acompanhar em 2012, são aqueles animes que você assiste a um episódio e
fica ansiando por mais, querendo ver, fica praticamente cativado com a
qualidade da história, com o cenário e com o desenrolar da história (ou
estória, para os tradicionalistas). A seguir, a sinopse de “BTOOOM!”, retirada
do Wikipedia.
Ryōta
Sakamoto é um desempregado de 22 anos que mora com a mãe. No mundo real ele não
é alguém especial, mas online ele é um dos melhores jogadores do planeta de um
jogo chamado Btooom!
Um dia, ele
acorda no que parece ser uma ilha tropical, porém não lembra como ou porque foi
parar ali. Enquanto andava pela praia, Ryōta viu alguém e chamou por socorro. O
estranho respondeu jogando uma bomba nele! Agora Ryōta percebe que sua vida
corre perigo e que está em uma versão da vida real de seu jogo preferido! Ryōta
conseguirá sobreviver e descobrir porque isso está acontecendo e quem é o
culpado?
Legal, né?
Nem preciso dizer que “caiu como uma luva” para mim, além dele ter a mesma
idade que a minha, creio que, por enquanto, não levo uma vida muito diferente
da vida de NEET (Not currently Engaged in Emplyoment, Education or Training,
algo como “atualmente sem emprego, não estuda e não faz estágio”) dele, sou
viciado por games e por enquanto, este mês, janeiro, não tenho emprego, nem
namorada.
Gostaria de
mostrar a seguir, uma reflexão profunda sobre o anime, elaborada pela minha amiga
N (que não é de Near), segundo o entendimento dela em relação ao BTOOOM, com
algumas modificações feitas por mim.
ANÁLISE REFLEXIVA (CONTÉM SPOILERS)
Temos uma história bem elaborada, retratando a vida
cotidiana, os problemas, não somente nossos, mas de várias pessoas, onde cada
qual luta contra seus fantasmas interiores, ao mesmo tempo em que luta pela
sobrevivência pessoal, em tempos onde os valores, a essência, a lealdade e
confiança são atributos pouco valorizados, praticamente esquecidos.
A
ilha representa o mundo onde vivemos, uma selva urbana (como eu já citei em uma
postagem anterior), onde para sobreviver, ou mata ou morre, da forma mais torpe
possível.
O jogo retrata a vida, onde escolhas e detalhes fazem
toda a diferença. As regras que nos são impostas, as armas que temos para
enfrentar e sobreviver, tudo a nossa sobrevivência mundana.
As
pessoas são os medos, as culpas que nos cercam. Cada uma armada de uma maneira
distinta, surpreendente, imprevisível.
O
Sakamoto e sua família, as questões mal resolvidas, frustrações, os meios que
usa pra se esconder, as decepções que ele passa, seus medos, sua amargura.
Todas essas dores fizeram com que ele, tardiamente amadurecesse, tanto que em um
episódio, ele se refere aos outros como adultos, algo como “então adultos
pensam assim” e percebe que ao fazer isso, esqueceu de amadurecer mentalmente,
pois sempre tentava se esquivar (o que
na verdade era um retardamento) dos seus problemas e foi a ilha que o
trouxe à realidade.
E
essa realidade acabou sendo um choque para ele, para ele acordar, para ele
realmente começar a viver. Mesmo sendo um rapaz sem maldade, ingênuo e bobo,
ele sempre foi um cara bacana, bom, leal. As percepções que tinha, por mais
simplórias que fossem, só acrescentaram, ajudaram-no a vencer, não somente o jogo,
mas vencer a si mesmo.
Compaixão
e a negação dele foram incríveis. E por mais utópico, acreditar no amor o fez
mais forte. Quando via tudo lá, perdido, sem volta, era isso que o motivava,
aquela garota do jogo, a Himiko .Já os amigos que fez, como o Taira –San, fizeram ele entender que, por mais que
relutemos, sobreviver sozinho é quase impossível. Juntando forças é que se constrói,
juntando forças é que se vence. A questão da confiança é discutida a todo o
momento, do mesmo modo em que o “medo” também sempre se apresenta, confunde,
manipula. O medo nos faz de fantoches, assim como no jogo, somos controlados
por essas pressões, por esses medos, mesmo tentando nos esquivar.
Já
a Himiko, ah... Himiko. Do mesmo modo que Sakamoto, ela se escondia nos jogos.
A culpa que carregava era nítida, era notório o quanto isso ocasionava dor.
Além do jogo, ela, por sorte, se apoiava nele. Ou melhor, um via no outro a
“salvação”. A forma deslocada dela, a vida solitária, triste. O “pecado” que
ela carregava, por não ter conseguido ajudar as pessoas que gostava, só
pioraram o que já estava mal resolvido.
O
medo que ela sentia e o mal que fizeram a ela não a deixavam esquecer,
torturando-a psicologicamente, fazendo com que ela passasse a desconfiar de
qualquer pessoa. Como se ela estivesse morta por dentro, seu interior.
Sakamoto,
do jeito ingênuo e ao mesmo tempo sincero, conseguiu fazê-la acreditar novamente, confiar nas
pessoas, confiar em alguém.
Um
ponto interessante é que, cada jogador, foi escolhido minuciosamente. E a todo
o momento vinham à tona suas frustrações, como se estivessem ali, justamente
para esse fim, pagarem pelo que fizeram. Cada um sendo punido de formas
diferentes, por transgressões e atos diferentes. Uns cometendo os mesmos erros,
outros aprendendo com os erros de outrem, outros pagando, se entregando de
fato.
“BTOOOM!”
é a nossa vida, “BTOOOM!”somos todos nós, nos fazendo acreditar que as coisas
podem mudar, que existem sim alternativas, que não existe o impossível pra quem
quer vencer, que sempre há tempo, que podemos amadurecer e aprender, cada qual
no seu tempo, que por mais que tenhamos medos, que por mais que esses fantasmas
persistam em nos assolar, podemos sim nos livrar deles. Ressaltando que, por
mais clichê que tenha sido o final, o amor pode sim, nos salvar, nos fazer
acreditar novamente.
A
questão é não se esconder, não deixar dragões-de-komodo nos atingir, sermos
cautelosos, jogar o jogo de forma honesta, afinal, a recompensa vem no seu
tempo, no tempo ideal.